Os taleigos…os saquinhos servem para tanta coisa!

Lembro-me quando era pequenina, que a minha avó colocava-me o lanche num saquinho de pano verde , que tinha um bordado “a minha merenda” e uma apliqué de uma menia com uns totós ( esse saco ainda está guardado).

De facto com o C. achei que era necessário para guardar cremes/brinquedos, levar lanche, toalha para a praia, etc…. ou mesmo para guardar a primeira roupinha.

Os sacos mais antigos que possuo, ainda pertenciam às minhas avós e normalmente destinavam-se para preservar o pão, os quais, originalmente, denominavam-se de taleigos.

Deixo algumas fotos de saquinhos que fiz para guardar o pão/para guardar a primeira roupinha/ou levar um lanchinho!

O C. já tem um para levar para a praia em forma de mochila!

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Mãe

 

Não aprendi a costurar com a minha mãe… mas cresci entre “farrapos”.  Com a minha avó aprendi as “luzes” do crochet.

Coincidência, descobri verdadeiramente a costura com a maternidade!

Desejo a todas muitos dias felizes de mãe, “no mínimo” todos os dias de muitos anos e um poema de José Jorge Letria:

“Quando eu for pequeno, mãe,
quero ouvir de novo a tua voz
na campânula de som dos meus dias
inquietos, apressados, fustigados pelo medo.
Subirás comigo as ruas íngremes
com a certeza dócil de que só o empedrado
e o cansaço da subida
me entregarão ao sossego do sono.

Quando eu for pequeno, mãe,
os teus olhos voltarão a ver
nem que seja o fio do destino
desenhado por uma estrela cadente
no cetim azul das tardes
sobre a baía dos veleiros imaginados.

Quando eu for pequeno, mãe,
nenhum de nós falará da morte,
a não ser para confirmarmos
que ela só vem quando a chamamos
e que os animais fazem um círculo
para sabermos de antemão que vai chegar.

Quando eu for pequeno, mãe,
trarei as papoilas e os búzios
para a tua mesa de tricotar encontros,
e então ficaremos debaixo de um alpendre
a ouvir uma banda a tocar
enquanto o pai ao longe nos acena,
lenço branco na mão com as iniciais bordadas,
anunciando que vai voltar porque eu sou
[pequeno
e a orfandade até nos olhos deixa marcas. ”

José Jorge Letria, in “O Livro Branco da Melancolia”

 

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Foto: Telmo Ferreira